DO PROGRAMA CPLP AUDIOVISUAL (PAV I)
CAMPO GRANDE, 376 · 1749-024
LISBOA, PORTUGAL
SUJEITA A LOTAÇÃO DA SALA
Raízes
do Futuro
Ao longo de uma semana, dez anos depois do arranque do Programa Audiovisual da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, são reunidos e apresentados numa mostra, acolhida pela Universidade Lusófona, nove filmes de nove nações. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, trazem ficções e documentários, vindos de arquipélagos e de metrópoles, de florestas equatoriais e de bairros periféricos. Cada um traz consigo territórios, línguas, questões prementes e memórias que lhe pertencem: os Bijagós, o Matebian, o Bentiaba, a metrópole paulistana, o Golfo da Guiné e a floresta do Obô. Diversos entre si, o que une estes filmes não é um estilo, uma filiação estética, ou o tom discursivo, mas sim uma inquietação, vertida em forma de pergunta, que cada um faz à sua maneira: o que fazemos, hoje, com aquilo que recebemos?
Nenhum destes filmes trata a memória como monumento; todos a tratam como matéria viva. Em A Casa e Canhão de Boca, instituições e vozes fundadoras regressam não como relíquia, mas como perguntas ainda abertas sobre a liberdade. Em Do Outro Lado do Mundo e A Criança Roubada, a raiz desloca-se com quem a transporta, e a identidade mostra-se como algo que se negoceia, se perde em parte, e se reconquista. Em O Dia em que Explodiu Mabata Bata e Origens e Descendentes, a língua e a música aparecem como os arquivos mais fiéis de um povo; como aquilo que guarda o que os documentos não retêm. Em Motxi Obô – A morte da floresta e Paraíso Ameaçado, a raiz é literal e está no centro do debate público, com as próprias comunidades a discutir o equilíbrio entre sustento e a conservação do patrimônio ambiental. Em A Felicidade de Margô, uma mulher, raramente protagonista das histórias, recusa o destino que lhe foi atribuído e constrói a sua própria narrativa. Dez anos de PAV não celebram, por isso, apenas um acervo. Comemoram um espaço que tem dado voz aos cineastas e à forma como tão bem veiculam o espírito do tempo. Comemoram o enraizamento de um projeto que se constrói. Equipas formadas, coproduções abertas, primeiras obras de novos realizadores e a valorização da diversidade são apenas alguns dos exemplos da dinâmica cultural implantada pelo PAV. Raízes sem futuro são apenas nostalgia; futuro sem raízes, mera deriva. Plantar é o trabalho que une os dois. É lento, feito às sombras, alimentado pelo amor e pela expectativa do futuro. Estes nove filmes, projetados por luz, são o lado visível do que já cresceu.
Por um espaço
audiovisual
lusófono
Unidos pelo património linguístico comum, os Estados-Membros têm vindo a ampliar progressivamente a agenda de cooperação econômica, com especial atenção na economia criativa. Neste contexto, o setor audiovisual emerge não apenas como veículo de afirmação da identidade cultural e da diversidade lusófona, mas como um ativo econômico estratégico, capaz de gerar empregos qualificados, atrair investimentos externos e projetar a imagem dos países do bloco na arena global (soft power).
Unidade Técnica do PAV III
PROGRAMAÇÃO
UM FILME DE RUI SÉRGIO AFONSO
Angola
DE MARGÔ
UM FILME DE MAURICIO ECA
Brasil
DE BOCA
UM FILME DE ÂNGELO LOPES
Cabo Verde
AMEAÇADO
UM FILME DE DOMINGOS SANCA
Guiné-Bissau
DESCENDENTES
UM FILME DE PEDRO MBA NDONG
UM FILME DE SOL CARVALHO
Moçambique
UM FILME DE RUI SIMÕES
Portugal
A MORTE DA
FLORESTA
UM FILME DE RAMUSEL GRAÇA
São Tomé e Príncipe
ROUBADA
UM FILME DE LURDES PIRES
Timor-Leste
FILMES
A FELICIDADE
DE MARGÔ
UM FILME DE MAURÍCIO EÇA
Baseado em factos reais, a partir de uma crónica de Drauzio Varella. Margô, profissional do sexo de origem humilde, conhece desde criança a exclusão e a margem. Depois de passar pela prisão na Bahia, decide recomeçar em São Paulo, longe das drogas e do crime, ainda que presa às condições que a sua condição social lhe impõe. Quando conquista uma promoção há muito desejada, um encontro inesperado com um agente da lei em ruptura põe tudo à prova. Com passagens a evocar o passado da protagonista, o filme devolve-lhe a dignidade de personagem inteira.
52 MIN — FICÇÃO — BRASIL
PRODUÇÃO: CONTEÚDOS DIVERSOS PRODUÇÕES LTDA
CANHÃO
DE BOCA
UM FILME DE ÂNGELO LOPES
“Canhão de Boca” era a expressão de Amílcar Cabral para a Rádio Libertação, arma mais poderosa do que qualquer arsenal. O documentário ficciona um programa de rádio que cruza duas vozes: Amélia Araújo, que difundiu os ideais da luta pela independência entre 1964 e 1973, e Rosário da Luz, que hoje faz da informação crítica uma forma de resistência. As suas lutas pertencem a tempos distintos, mas partilham a mesma essência. Elegendo a rádio como veículo, o filme pergunta por que continuamos a lutar, e propõe que o pensamento próprio é a primeira liberdade.
52 MIN — DOCUMENTÁRIO — CABO VERDE
PRODUÇÃO: O2 PRODUÇÕES
DO OUTRO
LADO DO MUNDO
UM FILME DE RUI SÉRGIO AFONSO
Duas mulheres, duas histórias de amor que cruzam continentes. Paulina, angolana, apaixona-se por Johnny, um trabalhador chinês que chega para construir uma estrada e parte deixando dois filhos e uma promessa por cumprir. Sofia chega da China com o marido e, com o nome “adaptado” para soar mais fácil, interroga-se se a travessia não a terá afastado de si mesma. Deste e do outro lado do mundo, ambas encontram a coragem de mudar o destino e atravessar fronteiras culturais em nome da felicidade. O primeiro passo está dado, o futuro fica em aberto.
52 MIN — DOCUMENTÁRIO — ANGOLA
PRODUÇÃO: GERAÇÃO 80 PRODUÇÕES
PARAÍSO
AMEAÇADO
UM FILME DE DOMINGOS SANCA
O arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, é Reserva da Biosfera da UNESCO, reconhecido pela extraordinária riqueza da sua fauna e flora. Mas a descoberta de petróleo lança uma sombra sobre este equilíbrio raro. Através de duas personagens que acompanham, na rádio comunitária, um debate sobre o tema, o documentário dá voz às comunidades locais e às expectativas e receios que a exploração petrolífera desperta. Um retrato de um paraíso natural no momento em que o seu futuro se decide.
54 MIN — DOCUMENTÁRIO — GUINÉ-BISSAU
PRODUÇÃO: TELECINE BISSAU PRODUÇÕES
ORIGENS
E DESCENDENTES
UM FILME DE PEDRO MBA NDONG
Um professor lança aos seus alunos um desafio: descobrir as origens da própria etnia através da música. A partir daí, o documentário parte à procura das raízes da sociedade equato-guineense, moldada por séculos de migrações que reuniram no Golfo da Guiné seis povos distintos: fang, bubis, ndowe, annoboneses, bisios e fernandinos. Numa nação de rara diversidade cultural, étnica e linguística, o filme propõe o conhecimento das origens como forma de aproximar gerações e valorizar um património comum, dirigido sobretudo aos mais jovens.
53 MIN — DOCUMENTÁRIO — GUINÉ EQUATORIAL
PRODUÇÃO: ASOCIACION CINEMATOGRAFICA DE GUINEA
EQUATORIAL – ACIGE
O DIA EM QUE EXPLODIU
MABATA BATA
UM FILME DE SOL DE CARVALHO
Adaptação de um conto de Mia Couto, falado em changana. Azarias é um jovem pastor órfão que sonha ir à escola. Guarda a manada do tio Raul, onde se destaca o boi Mabata Bata, parte do dote de um casamento próximo. Quando o boi pisa uma mina da guerra e explode, o rapaz foge para a floresta com medo das represálias. Mas a tragédia repete-se, e cabe agora ao seu espírito, convocado numa cerimónia, decidir entre perdoar e vingar-se. Entre a magia dos rituais e o horror do conflito armado, o filme mostra que, em tempo de guerra, só importa acabar com ela.
54 MIN — FICÇÃO — MOÇAMBIQUE
PRODUÇÃO: PROMARTE
A CRIANÇA
ROUBADA
UM FILME DE LURDES PIRES
Durante a ocupação de Timor-Leste, milhares de crianças foram levadas do país. Em 1978, aos oito anos, José sobreviveu a um bombardeamento que matou os seus familiares e foi levado para a Indonésia. Décadas depois, reencontrado pela família, prepara-se para regressar com a mulher, Sri. Dado por morto, foi “libertado” numa cerimónia animista. Para voltar a pertencer ao mundo dos vivos, terá de passar por outro ritual. Entre duas nações, duas religiões e duas famílias, o filme faz do reencontro uma reflexão sobre reconciliação e perdão.
54 MIN — DOCUMENTÁRIO — TIMOR-LESTE
PRODUÇÃO: ASSOCIAÇÃO DILI FILM WORKS
MOTXI OBÔ
A MORTE DA FLORESTA
UM FILME DE RAMUSEL GRAÇA
“Motxi de Obô” significa “Morte da Floresta”. A floresta equatorial de São Tomé foi classificada como uma das mais importantes de África para as aves e guarda centenas de plantas medicinais. Mas a exploração desregrada ameaça-a lentamente. Acompanhando quem dela depende, como curandeiros, madeireiros, carvoeiros e artesãos, e os cientistas que estudam a sua biodiversidade, o documentário mostra o difícil equilíbrio entre sustento e conservação, alertando para a ausência de meios e políticas capazes de travar a desflorestação.
52 MIN — DOCUMENTÁRIO — SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
PRODUÇÃO: GS PRODUÇÃO
A CASA
UM FILME DE RUI SIMÕES
Criada pelo Estado Novo para vigiar os estudantes vindos das colónias, a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, acabou por se tornar decisiva nas lutas de independência. Por ali passaram futuros líderes dos movimentos de libertação, como Agostinho Neto e Amílcar Cabral. O documentário recupera as memórias dos que viveram a Casa, entrelaçando os seus testemunhos com excertos ficcionados de “A Geração da Utopia”, de Pepetela. A fascinante história de um lugar onde o propósito com que foi fundado se inverteu por completo.
54 MIN — DOCUMENTÁRIO — PORTUGAL
PRODUÇÃO: REAL FICÇÃO
REALIZAÇÃO
PARCERIA INSTITUCIONAL
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