MOSTRA COMEMORATIVA DOS 10 ANOS
DO PROGRAMA CPLP AUDIOVISUAL (PAV I)
09 A 13 DE NOVEMBRO DE 2026
SALA FERNANDO LOPES
UNIVERSIDADE LUSÓFONA
CENTRO UNIVERSITÁRIO LISBOA
CAMPO GRANDE, 376 · 1749-024
LISBOA, PORTUGAL
ENTRADA GRATUITA
SUJEITA A LOTAÇÃO DA SALA

Raízes
do Futuro

O QUE É UMA RAÍZ? PODEMOS VÊ-LA COMO O QUE NOS PRENDE, COMO A ORIGEM QUE SE HERDA, COMO A HISTÓRIA QUE NOS ANTECEDE. PODEMOS VÊ-LA COMO AFIRMAÇÃO DO QUE SE PLANTA: UM GESTO FEITO NO PRESENTE, QUE TRAZ JÁ A PLENITUDE DO QUE VIRÁ A SER. ESTA MOSTRA FOCA NESTE SENTIDO.

Ao longo de uma semana, dez anos depois do arranque do Programa Audiovisual da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, são reunidos e apresentados numa mostra, acolhida pela Universidade Lusófona, nove filmes de nove nações. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, trazem ficções e documentários, vindos de arquipélagos e de metrópoles, de florestas equatoriais e de bairros periféricos. Cada um traz consigo territórios, línguas, questões prementes e memórias que lhe pertencem: os Bijagós, o Matebian, o Bentiaba, a metrópole paulistana, o Golfo da Guiné e a floresta do Obô. Diversos entre si, o que une estes filmes não é um estilo, uma filiação estética, ou o tom discursivo, mas sim uma inquietação, vertida em forma de pergunta, que cada um faz à sua maneira: o que fazemos, hoje, com aquilo que recebemos?

Nenhum destes filmes trata a memória como monumento; todos a tratam como matéria viva. Em A Casa e Canhão de Boca, instituições e vozes fundadoras regressam não como relíquia, mas como perguntas ainda abertas sobre a liberdade. Em Do Outro Lado do Mundo e A Criança Roubada, a raiz desloca-se com quem a transporta, e a identidade mostra-se como algo que se negoceia, se perde em parte, e se reconquista. Em O Dia em que Explodiu Mabata Bata e Origens e Descendentes, a língua e a música aparecem como os arquivos mais fiéis de um povo; como aquilo que guarda o que os documentos não retêm. Em Motxi Obô – A morte da floresta e Paraíso Ameaçado, a raiz é literal e está no centro do debate público, com as próprias comunidades a discutir o equilíbrio entre sustento e a conservação do patrimônio ambiental. Em A Felicidade de Margô, uma mulher, raramente protagonista das histórias, recusa o destino que lhe foi atribuído e constrói a sua própria narrativa. Dez anos de PAV não celebram, por isso, apenas um acervo. Comemoram um espaço que tem dado voz aos cineastas e à forma como tão bem veiculam o espírito do tempo. Comemoram o enraizamento de um projeto que se constrói. Equipas formadas, coproduções abertas, primeiras obras de novos realizadores e a valorização da diversidade são apenas alguns dos exemplos da dinâmica cultural implantada pelo PAV. Raízes sem futuro são apenas nostalgia; futuro sem raízes, mera deriva. Plantar é o trabalho que une os dois. É lento, feito às sombras, alimentado pelo amor e pela expectativa do futuro. Estes nove filmes, projetados por luz, são o lado visível do que já cresceu.

ANDRÉ RUI GRAÇA
Curador da Mostra, professor auxiliar na ECATI (Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias) da Universidade Lusófona e investigador integrado do CICANT (Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias).

Por um espaço
audiovisual
lusófono

A COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (CPLP), FUNDADA EM 1996, CONSOLIDOU-SE, AO LONGO DAS ÚLTIMAS TRÊS DÉCADAS, COMO UM ESPAÇO DE CONCERTAÇÃO POLÍTICA E COOPERAÇÃO MULTILATERAL QUE UNE NOVE ESTADOS EM QUATRO CONTINENTES: ANGOLA, BRASIL, CABO VERDE, GUINÉ-BISSAU, GUINÉ EQUATORIAL, MOÇAMBIQUE, PORTUGAL, SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E TIMOR-LESTE.

Unidos pelo património linguístico comum, os Estados-Membros têm vindo a ampliar progressivamente a agenda de cooperação econômica, com especial atenção na economia criativa. Neste contexto, o setor audiovisual emerge não apenas como veículo de afirmação da identidade cultural e da diversidade lusófona, mas como um ativo econômico estratégico, capaz de gerar empregos qualificados, atrair investimentos externos e projetar a imagem dos países do bloco na arena global (soft power).

O PROGRAMA CPLP AUDIOVISUAL (PAV)
Para responder a estes desafios, a Comunidade instituiu o Programa CPLP Audiovisual (PAV) em 2015. Atualmente em sua terceira edição (PAV III), o programa tem por dinâmica central a operacionalização da Rede CPLP Audiovisual, composta, em cada Estado-Membro, pelas autoridades audiovisuais nacionais e os sistemas públicos de televisão (TVs Públicas), para a atuação nos seguintes eixos estratégicos:
FOMENTO À PRODUÇÃO
Financiamento de documentários e obras de ficção (séries DOCTV CPLP e FICTV CPLP).
FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO
Ações de formação voltadas para a qualificação técnica e artística de produtores, realização de laboratórios de desenvolvimento de projetos e implantação de mecanismos de gestão de políticas e programas de fomento.
CIRCULAÇÃO
Formação de redes de exibição, através da articulação prioritária dos sistemas públicos de televisão (TVs Públicas abertas).
PESQUISA E MONITORAMENTO DE MERCADOS
Levantamento e sistematização de dados sobre os cenários audiovisuais dos Estados-Membros, visando a formulação de estratégias de cooperação e desenvolvimento. O sucesso do PAV tem contribuído decisivamente para a promoção do diálogo das diversas cinematografias do mundo lusófono, impulsionando o intercâmbio artístico-cultural e a cooperação técnica. Ao longo desses anos foram 49 filmes produzidos e mais de 110 horas de programação compartilhadas pelas TVs Públicas da Comunidade. Assim, num ambiente democrático e plural, o Programa CPLP Audiovisual avança na consolidação do Espaço Audiovisual da Língua Portuguesa.
MARIO BORGNETH
Coordenador Executivo
Unidade Técnica do PAV III

PROGRAMAÇÃO

09/11/26
20h – Sessão de Abertura
DO OUTRO LADO DO MUNDO
UM FILME DE RUI SÉRGIO AFONSO
documentário
Angola
10/11/26
20h
A FELICIDADE
DE MARGÔ
UM FILME DE MAURICIO ECA
ficção
Brasil
21h
CANHÃO
DE BOCA
UM FILME DE ÂNGELO LOPES
documentário
Cabo Verde
11/11/26
20h
PARAÍSO
AMEAÇADO
UM FILME DE DOMINGOS SANCA
documentário
Guiné-Bissau
21h
ORIGENS E
DESCENDENTES
UM FILME DE PEDRO MBA NDONG
documentário
12/11/26
20h
O DIA QUE EXPLODIU MABATA BATA
UM FILME DE SOL CARVALHO
ficção
Moçambique
21h
A CASA
UM FILME DE RUI SIMÕES
documentário
Portugal
13/11/26
20h
MOTXI OBÔ
A MORTE DA
FLORESTA
UM FILME DE RAMUSEL GRAÇA
documentário
São Tomé e Príncipe
21h
A CRIANÇA
ROUBADA
UM FILME DE LURDES PIRES
documentário
Timor-Leste

FILMES

A FELICIDADE
DE MARGÔ

UM FILME DE MAURÍCIO EÇA

Baseado em factos reais, a partir de uma crónica de Drauzio Varella. Margô, profissional do sexo de origem humilde, conhece desde criança a exclusão e a margem. Depois de passar pela prisão na Bahia, decide recomeçar em São Paulo, longe das drogas e do crime, ainda que presa às condições que a sua condição social lhe impõe. Quando conquista uma promoção há muito desejada, um encontro inesperado com um agente da lei em ruptura põe tudo à prova. Com passagens a evocar o passado da protagonista, o filme devolve-lhe a dignidade de personagem inteira.

52 MIN — FICÇÃO — BRASIL

PRODUÇÃO: CONTEÚDOS DIVERSOS PRODUÇÕES LTDA

CANHÃO
DE BOCA

UM FILME DE ÂNGELO LOPES

“Canhão de Boca” era a expressão de Amílcar Cabral para a Rádio Libertação, arma mais poderosa do que qualquer arsenal. O documentário ficciona um programa de rádio que cruza duas vozes: Amélia Araújo, que difundiu os ideais da luta pela independência entre 1964 e 1973, e Rosário da Luz, que hoje faz da informação crítica uma forma de resistência. As suas lutas pertencem a tempos distintos, mas partilham a mesma essência. Elegendo a rádio como veículo, o filme pergunta por que continuamos a lutar, e propõe que o pensamento próprio é a primeira liberdade.

52 MIN — DOCUMENTÁRIO — CABO VERDE

PRODUÇÃO: O2 PRODUÇÕES

DO OUTRO
LADO DO MUNDO

UM FILME DE RUI SÉRGIO AFONSO

Duas mulheres, duas histórias de amor que cruzam continentes. Paulina, angolana, apaixona-se por Johnny, um trabalhador chinês que chega para construir uma estrada e parte deixando dois filhos e uma promessa por cumprir. Sofia chega da China com o marido e, com o nome “adaptado” para soar mais fácil, interroga-se se a travessia não a terá afastado de si mesma. Deste e do outro lado do mundo, ambas encontram a coragem de mudar o destino e atravessar fronteiras culturais em nome da felicidade. O primeiro passo está dado, o futuro fica em aberto.

52 MIN — DOCUMENTÁRIO — ANGOLA

PRODUÇÃO: GERAÇÃO 80 PRODUÇÕES

PARAÍSO
AMEAÇADO

UM FILME DE DOMINGOS SANCA

O arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, é Reserva da Biosfera da UNESCO, reconhecido pela extraordinária riqueza da sua fauna e flora. Mas a descoberta de petróleo lança uma sombra sobre este equilíbrio raro. Através de duas personagens que acompanham, na rádio comunitária, um debate sobre o tema, o documentário dá voz às comunidades locais e às expectativas e receios que a exploração petrolífera desperta. Um retrato de um paraíso natural no momento em que o seu futuro se decide.

54 MIN — DOCUMENTÁRIO — GUINÉ-BISSAU

PRODUÇÃO: TELECINE BISSAU PRODUÇÕES

ORIGENS
E DESCENDENTES

UM FILME DE PEDRO MBA NDONG

Um professor lança aos seus alunos um desafio: descobrir as origens da própria etnia através da música. A partir daí, o documentário parte à procura das raízes da sociedade equato-guineense, moldada por séculos de migrações que reuniram no Golfo da Guiné seis povos distintos: fang, bubis, ndowe, annoboneses, bisios e fernandinos. Numa nação de rara diversidade cultural, étnica e linguística, o filme propõe o conhecimento das origens como forma de aproximar gerações e valorizar um património comum, dirigido sobretudo aos mais jovens.

53 MIN — DOCUMENTÁRIO — GUINÉ EQUATORIAL

PRODUÇÃO: ASOCIACION CINEMATOGRAFICA DE GUINEA
EQUATORIAL – ACIGE

O DIA EM QUE EXPLODIU
MABATA BATA

UM FILME DE SOL DE CARVALHO

Adaptação de um conto de Mia Couto, falado em changana. Azarias é um jovem pastor órfão que sonha ir à escola. Guarda a manada do tio Raul, onde se destaca o boi Mabata Bata, parte do dote de um casamento próximo. Quando o boi pisa uma mina da guerra e explode, o rapaz foge para a floresta com medo das represálias. Mas a tragédia repete-se, e cabe agora ao seu espírito, convocado numa cerimónia, decidir entre perdoar e vingar-se. Entre a magia dos rituais e o horror do conflito armado, o filme mostra que, em tempo de guerra, só importa acabar com ela.

54 MIN — FICÇÃO — MOÇAMBIQUE

PRODUÇÃO: PROMARTE

A CRIANÇA
ROUBADA

UM FILME DE LURDES PIRES

Durante a ocupação de Timor-Leste, milhares de crianças foram levadas do país. Em 1978, aos oito anos, José sobreviveu a um bombardeamento que matou os seus familiares e foi levado para a Indonésia. Décadas depois, reencontrado pela família, prepara-se para regressar com a mulher, Sri. Dado por morto, foi “libertado” numa cerimónia animista. Para voltar a pertencer ao mundo dos vivos, terá de passar por outro ritual. Entre duas nações, duas religiões e duas famílias, o filme faz do reencontro uma reflexão sobre reconciliação e perdão.

54 MIN — DOCUMENTÁRIO — TIMOR-LESTE

PRODUÇÃO: ASSOCIAÇÃO DILI FILM WORKS

MOTXI OBÔ
A MORTE DA FLORESTA

UM FILME DE RAMUSEL GRAÇA

“Motxi de Obô” significa “Morte da Floresta”. A floresta equatorial de São Tomé foi classificada como uma das mais importantes de África para as aves e guarda centenas de plantas medicinais. Mas a exploração desregrada ameaça-a lentamente. Acompanhando quem dela depende, como curandeiros, madeireiros, carvoeiros e artesãos, e os cientistas que estudam a sua biodiversidade, o documentário mostra o difícil equilíbrio entre sustento e conservação, alertando para a ausência de meios e políticas capazes de travar a desflorestação.

52 MIN — DOCUMENTÁRIO — SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

PRODUÇÃO: GS PRODUÇÃO

A CASA

UM FILME DE RUI SIMÕES

Criada pelo Estado Novo para vigiar os estudantes vindos das colónias, a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, acabou por se tornar decisiva nas lutas de independência. Por ali passaram futuros líderes dos movimentos de libertação, como Agostinho Neto e Amílcar Cabral. O documentário recupera as memórias dos que viveram a Casa, entrelaçando os seus testemunhos com excertos ficcionados de “A Geração da Utopia”, de Pepetela. A fascinante história de um lugar onde o propósito com que foi fundado se inverteu por completo.

54 MIN — DOCUMENTÁRIO — PORTUGAL

PRODUÇÃO: REAL FICÇÃO

REALIZAÇÃO

PARCERIA INSTITUCIONAL

APOIO

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